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"Aprendi que as maiores riquezas estão ao nosso lado e que o nascer de cada dia é uma nova oportunidade de ser feliz e fazer a diferença".

quarta-feira, abril 27

CRÔNICAS NOSSAS.


"QUE PAÍS É ESTE?"

O Brasil ao longo dos mais de 500 anos de vida conta com mais de cinco constituições e algumas delas marcante na história do país, como a de 1934 (Era Vargas) e 1988 (Redemocratização – José Sarney). A primeira impressão é que tantas mudanças na lei seria uma forma de adaptação a cada época, afinal a modernidade requer mudanças. Entretanto, a verdade é que todas essas mudanças foram uma adaptação ao favorecimento dos mais poderosos.
A cada novo governo, novo regime e novo tempo o povo brasileiro carregava a esperança de dias melhores e leis que estivessem verdadeiramente á seu favor. Os responsáveis por todas essas constituições sempre passavam o parecer de que as transformações estariam ao lado da massa. No entanto, a resposta final - a realidade – sempre foi tomada pela supremacia de quem tinha mais poder.
O país conviveu com a escravidão por mais de 300 anos e no dia 13 de maio de 1888 o “negro” teve a tão desejada liberdade através da abolição da escravatura. Liberdade essa concedida pela princesa Isabel, a qual foi considerada heroína por décadas diante de uma atitude tão sublime. Não há como negar tal atitude, porém ela não foi tomada por solidariedade e nem tão pouco caridade da princesa. Naquele momento a nação era a única da América do Sul que vivia a escravidão, além disso, esse modo servil era incompatível com a intenção de expansão capitalista da Inglaterra (maior potência industrial no momento) e dos capitalistas vigentes no país. O negro então saiu da senzala e foi comemorar, afinal tinha todo o direito. Mas, a realidade é que a ele não foi dada nenhuma condição de sobrevivência e o mesmo foi jogado na sociedade como um cego em meio à multidão. O resultado foi que muitos deles passaram a viver as margens da sociedade e com isso foi formado o preconceito histórico.
A mulher brasileira veio votar apenas em 1934 com Getúlio Vargas, tal abertura levou a crer em dias de grandes inovações; e elas vieram. Uma ditadura de 15 anos ininterruptos e que levou muitos opositores do sistema a serem perseguidos e até mesmo mortos. Findado seu governo em 1945 volta a tão sonhada liberdade e que pena que duraria pouco. O golpe militar de 1964 foi à solução para as "ameaças socialistas" do governo de João Goulart, onde a elite da nação se via cada vez mais coibida e portanto apoiou tal golpe. E então assistimos  à ditadura cruel e massacrante que durou 20 anos, período marcado pela extrema opressão das liberdades, censura e conhecido como anos de chumbo. O curioso é que de todos os países da América do Sul que viveram tal regime o Brasil é o único que não abriu os arquivos da ditadura para julgamento dos criminosos. Por quê? A resposta é fácil, muitos senadores, governadores e políticos que atuam hoje teriam que parar atrás das grades. No Chile, por exemplo, o presidente da época (Pinochet) foi preso assim como os demais responsáveis nos outros países.
Os ricos sempre tiveram as chances por aqui e os fracos mesmo ousados tiveram fins trágicos. Tiradentes foi esquartejado e decapitado simplesmente por lutar pela inconfidência mineira e de certa forma independência do país diante das garras portuguesas. Mais recente Dorothy Stang, a irmã Dorothy foi assassinada com seis tiros por lutar pela reforma agrária no Pará e assim estar indo de encontro com os latifundiários.
Depois de analisar esses fatos históricos e tantos outros parei para analisar o tempo presente – período marcado pela democracia e liberdade como as protagonistas do século XXI. E então me chamou atenção alguns “pequenos detalhes”: deparei-me na rede Globo com programa de domingo – o fantástico - que publicou a reportagem de um homem , o qual roubou um abóbora para comer e que estava preso á cinco anos. A justiça o esqueceu na cadeia e parece que ele nem se quer existia mais. Foi um roubo e merecia cumprir sua pena, porém não merecia ser levado com descaso. Muitos ao assistirem o noticiário deram risada do pobre coitado e com certeza falaram que deveria pagar pelo crime e outros nem se quer ligaram para o fato. Do outro lado da moeda trago outro “pequeno detalhe”: a cada semana escândalos políticos vem à tona: dinheiro na cueca, na meia, na mala e no final tudo fica em pizza. Muitos ao assistirem tais fatos jamais riram deles ou tiveram vontade de ir até os responsáveis para dizer-lhes as verdades merecidas e outros os respeitaram e vendo-os como líderes do país não admitem que eles passem situações constrangedoras. O engraçado é que eles são nossos empregados e pousam como patrões, banham-se em privilégios e até auxílio palitó tem direito de receber. E fiquei na minha reflexão: rir-se de um homem pobre que roubou para comer e assistisse passivamente ao roubo do dinheiro público – nosso dinheiro.
Analisando tais situações e outras a mais me intrigo para descobrir se a lei existe realmente no Brasil. Mas, para que se preocupar se somos o país tropical, o país do Carnaval, do melhor futebol do mundo, das mulheres bonitas e das belezas naturais? ... Para que se preocupar se Deus é brasileiro? Se da para levar no jeitinho brasileiro?
Um dia talvez seja possível descobrir a pergunta que me faço todos os dias: “Que país é este?” Ao menos tenho a honra de saber que a pergunta faz parte da canção de um grande homem e compositor.

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