Minha foto
"Aprendi que as maiores riquezas estão ao nosso lado e que o nascer de cada dia é uma nova oportunidade de ser feliz e fazer a diferença".

sábado, outubro 8

CARTA DE APOIO AO SINDICANTO E COLEGAS BANCÁRIOS.





Itabuna, 08 de Outubro de 2011.


Caros colegas,

             Através destas poucas linhas veio prestar minha solidariedade perante o movimento grevista. Parabenizo primeiramente a vocês que estão à frente do movimento e que sem nenhum receio enfrentam os banqueiros, alguns colegas, autoridades e a sociedade em geral. Também parabenizo os demais colegas por fazer parte da maior greve dos últimos 20 anos.
Aos olhos de muitos a greve dos bancários é só mais uma farra para ganhar aumento de salário. Sem dúvida alguma, tal afirmação é um crime contra a categoria e contra a própria população. Bem mais do que um aumento salarial, nós queremos o reconhecimento da nossa dignidade e não pensamos apenas em nós; também pensamos na população. Lutamos por direitos legais, a fim de ter nosso reconhecimento e servir melhor ao povo que todos os dias está nas filas monstruosas e que precisa dos bancos.
                  A ideologia capitalista  arranca do homem seu último neurônio e carácter e depois o joga fora como um lixo. E o dia a dia dos bancos não é diferente. Aos clientes de maior poder aquisitivo atendimentos prioritários e ao demais resta aquele velho caos de entrar em um banco pela manhã e sair depois de horas de espera. Lutamos não apenas por nós, mas por toda a sociedade. A existência dos bancos primeiramente é possível por conta dos clientes e depois dos bancários; essa é a escada para existência de um banco. E porque na escada do respeito e dignidade percebemos esses como os últimos? Lutamos para ver essa situação revertida. E os banqueiros colocam como grande vilão a classe dos bancários. Tal ideia não pode ser disseminada em meio à sociedade, afinal o grande vilão são os banqueiros.
Tenho apenas quatro meses de banco e praticamente experiência nenhuma, mas certos acontecimentos me fizeram vir até aqui. Eu vi de perto gerente chorando por não conseguir alcançar a meta que tinha que fazer e simplesmente todo o esforço que exerceu durante sua carreira ser apagado. Eu vi colegas saírem da agência com o medo estampado nos olhos e temendo ser vitima de sequestro. Eu vi clientes humilharem colegas e agredirem sua moral não apenas como bancário, mas como cidadão e tudo isso por conta de problemas que não cabem a nós. Deparei-me com colegas que dedicaram praticamente toda a sua vida ao banco, deixando até mesmo de viver momentos com sua família e quando vivia não vivia de corpo e alma, por pensar nas coisas que tinha que fazer na segunda-feira. Deparei-me com colegas que por adquirirem DORT/LER foram jogados fora como um lixo e sem pena alguma pelos banqueiros.
Mas também não podemos deixar de amar o que fazemos, pois a população precisa de nós e se lutamos por ela devemos ter essa consciência. Nesses quatro meses também aprendi a gostar do que faço e esse é o segredo do sucesso; e o que mais me motiva é ouvir um elogio de um cliente em meio a um dia cheio de stress. Encerrando essas linhas gostaria de compartilhar um acontecimento: conversando com um cliente sobre o stress, a demora no atendimento e coisas do tipo ele me perguntou o que havia de prazeroso em trabalhar ali: eu respondi que um simples elogio de um cliente, como o que ele acabava de me fazer é capaz de apagar tudo de ruim que se vive em dia de trabalho e nesse dia saímos da agência sentindo orgulho de nós mesmos. No resumo de tudo é isso que pedimos: reconhecimento.
Não estou 100% a frente do movimento, mas a cada dia que vejo vocês na porta dos bancos em meio à chuva e sol sinto mais orgulho ainda  de fazer parte dessa greve e o mínimo que posso fazer é prestar o meu apoio.


 Abraços,

Vanclei Santana da Silva.