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"Aprendi que as maiores riquezas estão ao nosso lado e que o nascer de cada dia é uma nova oportunidade de ser feliz e fazer a diferença".

sábado, maio 21

CRÔNICAS NOSSAS.


USINA DE JIRAU: O QUE O BRASIL FINGIA NÃO VER.
                A maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC - também entrou para história como a maior revolta de operários no século XXI em nosso país e talvez no mundo. No dia 15 de Março de 2011 os trabalhadores iniciaram uma revolta no acampamento localizado em Jirau, a mais de 100 km de Porto Velho, e a violência em destaque levou a conclusão de que nesse vultoso investimento está inserido muitas questões além da geração de energia elétrica. Acompanhar o cotidiano das obras é ver de perto a exploração subumana dos trabalhadores e atrevo a dizer que é ver a escravidão moldada aos novos tempos. Sem contar as questões ambientais que acabam culminando em questões e problemas sociais.
 Inicialmente os trabalhadores são atraídos por um bom salário e toda uma propaganda, então vendem tudo e pagam aos “gatos”. Ao chegar ao local de trabalho basta um dia para perceber que a realidade será árdua e por vezes miserável.  Água e comida são recursos que se tornam difíceis para não dizer escassos, ao longo da jornada. Os dormitórios parecem mais um navio negreiro com seus corpos amontoados. O ambulatório instalado quando usado é pago, afinal o deslocamento para tomar um remédio reduz a jornada de trabalho e se repente um caso grave tiver que ser encaminhado para a capital com certeza a demissão será garantida. Ao fim do mês o salário em questão é reduzido, as horas extras não são remuneradas e até mesmo faltas inexistentes são colocadas na agenda do trabalhador, o que gera a perda de alguns benefícios por falta de 100% de assiduidade. Supervisores atuam como verdadeiros capatazes vigiando o trabalho e a vida do indivíduo 24 horas. Na região mais quente do país os trabalhadores se vêem negados a beber um copo de água, por ser um comportamento julgado como corpo mole. Sem contar a falta de equipamentos de segurança, o que já levou a morte de alguns operários.  Tudo isso acontecia na surdida até os envolvidos na questão começarem a se manifestar e devastar todo o acampamento. E mais uma vez foi visto o despreparo das autoridades para lhe dar com tais questões.
E pergunto-me onde está o governo em meio a toda essa situação. O governo não tem culpa nenhuma no cartório, afinal a obra é terceirizada e é preciso cobrar das empresas que constroem o mega investimento? Essa pergunta deve ser refletida com cautela. É a velha história da filha que acha que namora escondido do pai. A filha é a obra em questão e o pai é o governo; e nesse caso o pai é uma exceção, pois faz de tudo para não saber.
                Uma obra que envolve cerca de 12 bilhões de reais em investimentos terá que margem de lucro? Este com certeza terá vários destinos e o povo será o menos provável possível. O que tem margem exata é a exploração do brasileiro. Mais uma vez o Brasil mostra que para crescer é preciso massacrar seu povo e o engraçado é que a definição de PAC para o governo é a seguinte: “O PAC é mais que um programa de expansão do crescimento. Ele é um novo conceito de investimento em infra-estrutura que, aliado a medidas  econômicas, vai estimular os setores produtivos e, ao mesmo tempo, levar benefícios sociais para todas as regiões do país”. Realmente algo está distorcido ou é simplesmente ilusão alheia. Na realidade estamos assistindo um capitalismo feroz, onde o lucro e a produção estão acima de tudo. Olhar a pessoa como ser humano é perder tempo e tempo é dinheiro. É preciso averiguar nossos porões, pois neles há muitas coisas escondidas e maquiadas por belos conceitos.
                E onde esta os direitos trabalhistas conquistados no século passado? Onde está a Declaração Universal dos Direitos Humanos? E a constituição?  Tudo isso afogado em meio aos lobos dessa floresta selvagem chamada Brasil.

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